Os rins são os responsáveis pela manutenção da vida. Eles fazem a filtragem do sangue, onde ocorre a reabsorção de substâncias importantes, secretam e excretam substâncias que não são mais reaproveitadas pelo organismo, entre outras funções essenciais.

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma das enfermidades mais frequentes na rotina veterinária e muitos tutores acabam descobrindo a doença tarde, onde, às vezes, o tratamento não se torna capaz de prolongar a vida do animal.

É caracterizada por uma lesão renal persistente pelo período mínimo de três meses e pela perda progressiva, definitiva e irreversível da massa funcional e/ou estrutural de um ou ambos os rins.

Muitas são as causas de problemas renais em animais. Em idosos, é comum devido ao declínio natural da função renal. Em jovens, observamos com frequência alterações congênitas/hereditárias em várias raças, como a displasia renal em cães das raças Shith Tzu, Lhasa Apso, Maltês, Poodle e Yorkshire; já em gatos, predomina a doença renal policística, principalmente em gatos da raça persa.

Existem outras causas que podem levar ao desenvolvimento da DRC, como a doença renal aguda (DRA), que é um estágio avançado da doença crônica; doenças infecciosas (como a pielonefrite não diagnosticada ou tratada incorretamente), medicamentos (como alguns anti-inflamatórios e antibióticos); cálculos renais (muito comuns em gatos e cães da raça Schnauzer); entre outras.

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Sinais clínicos e alterações que podem ser observadas

Geralmente os tutores percebem alguns sinais clínicos e acabam não associando a alterações renais. O trato digestivo normalmente é o mais afetado, devido ao acúmulo das substancias tóxicas que deveriam ser eliminadas, levando a gastrites, úlceras intestinais, diarreia, diarreia com sangue, náuseas e vômitos.

Outros sinais que observamos com frequência são:

  • Aumento na ingestão de água (polidpsia);
  • Aumento na quantidade de vezes ao urinar (poliúria);
  • Emagrecimento progressivo;
  • Desidratação;
  • Anorexia;
  • Urina clara ou muito clara e também hálito urêmico;
  • Hipertensão sistêmica, anemias não regenerativas e alterações hidroeletrolíticas, entre outras.

Exames de diagnóstico clínico complementares

A disfunção renal poderá permanecer subclínica por um longo período e só ser diagnosticada em exames laboratoriais como creatinina e ureia, quando de 65 a 75% da função de ambos os rins já estiverem comprometidos.

Por esse motivo, o diagnóstico precoce é muito importante. Hoje contamos com o auxílio de outros exames que nos permitem diagnosticar a DRC em estágios iniciais.

A ultrassonografia permite fazer a avaliação da estrutura renal, onde podem ser observadas alterações na morfologia renal antes de serem constatadas alterações nos exames laboratoriais. Na ultrassonografia é possível avaliar o tamanho dos rins, a presença de cálculos renais ou ureterais ou a ausência de um dos rins, assim como a vascularização renal e alguns possíveis tumores.

Dentre os exames laboratoriais, a urinálise é um dos mais importantes, pois fornece dados sobre o funcionamento dos rins e a presença de alterações importantes, como infecção urinária.

Além de úteis para diagnóstico, os exames laboratoriais são necessários para o acompanhamento periódico dos pacientes em tratamento. Dentre eles, destacam-se: Ureia, creatinina, fósforo, albumina, cálcio, colesterol, sódio, potássio, cloro, gasometria arterial ou venosa, hemograma completo, contagem de reticulócitos e outros.

Frente a frente com o diagnóstico

Se seu animal foi diagnosticado com Doença Renal Crônica, é muito importante fazer a classificação da “situação renal” dele, o que chamamos do estadiamento renal e subestadiamento, baseado nos padrões internacionais do IRIS (International Renal Interest Society).

O tratamento indicado será baseado nesta classificação com informações complementares dos exames laboratoriais e de imagem obtidos. De acordo com a evolução da doença, poderá ser necessária a internação do paciente, tratamento e acompanhamento mais intensivos pelo médico veterinário.
Felizmente, a recente evolução da especialidade em nefrologia e urologia na medicina veterinária tem proporcionado avanços no diagnóstico precoce e nos tratamentos específicos. Já contamos com recursos da hemodiálise veterinária e o uso de células tronco em animais.

Existem, portanto, recursos disponíveis e profissionais capacitados para tratar da saúde de pacientes renais, prolongando e mantendo a qualidade de vida deles. Devemos quebrar o preconceito de que animais com doenças renais crônicas tenham pouca expectativa de vida.

Fonte: http://www.caesegatos.com/

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